WHITE TENT

Evgenia Tabakova e Pedro Noronha-Feio formam o coletivo de design White Tent. De origem Russa e Portuguesa, licenciaram-se em Central Saint Martin´s e no London College of Fashion, respectivamente. Realizaram vários estágios e trabalharam para designers como Alexander McQueen, Lidija Kolovrat, Globe e Matthew Williamson.

Outono/Inverno 2009/2010
Como ponto de partida para a colecção Outono/Inverno 09/10 procurámos analisar as texturas de armaduras medievais, traduzindo alguns dos seus elementos para o vestuário.
Malha metálica é referenciada em tricot, como camisolas "armadura". Na escolha de materiais aparecem tecidos metalizados e raclados como motivo condutor, como referência às texturas das armaduras, que são contrabalançadas com a introdução de materiais e acabamentos mais suaves.

MATERIAIS
Lã, nylon, tyvek raclado, metal, pele e algodão

CORES
Preto, cinzento, bege e prateado

Mais informações em white-tent.com


MODALISBOA CONVERSA COM PEDRO NORONHA-FEIO

ModaLisboa - Quando e como começou a se interessar por Moda?
Pedro Noronha Feio – O interesse foi crescendo naturalmente. Estudei design têxtil na António Arroio e quando fiz essa opção já foi com a ideia de vir a seguir moda.

O que mais o fascina nesta área criativa?
Criar uma estética, um visual, algo próximo ao corpo, algo muito pessoal. Esta é a nossa área, é a nossa forma de nos expressarmos esteticamente e o facto de ter uma relação tão próxima com o corpo e com a forma como as pessoas se expressam é fascinante. É muito gratificante ver pessoas que se identificam com a nossa estética, a expressarem-se com algo que nós criámos.

Qual o ponto de partida para o desenvolvimento de uma nova coleção?
A pesquisa. A catapulta para uma nova colecção é sempre algo que na nossa pesquisa nos chamou a atenção. Pode ser qualquer coisa: um livro, uma história, uma exposição. Depois há um encadeamento de ideias. Acho que a forma como um designer olha para o que o rodeia nunca consegue ser separada do design. Eu sou um designer 24 horas por dia, por isso no meu dia-a-dia a informação que vou recolhendo e que me vai interessando vai ficando retira no subconsciente e reflecte-se a nível das proporções, das cores, etc. Depois o que funciona é a nossa intuição, a nossa sensibilidade que foi alimentada por esta informação. No processo de design obviamente que temos um ponto de partida, algo que nos interessa, mas depois há uma pesquisa muito grande. Na triagem dessa pesquisa e no início do desenvolvimento de design propriamente dito, o que funciona é a nossa sensibilidade e a junção de toda a informação que vamos recolhendo. Por isso é que um designer que vive em Londres tem uma estética diferente de um designer que vive em Bombaim. Tem influências diferentes, as cores que usa são diferentes, as proporções são outras. No fundo o processo de design ou o resultado é influenciado por tudo isto.

Fale-nos um pouco do tema e da proposta da colecção que vão apresentar hoje.
Esta colecção teve como ponto de partida as armaduras, a sua construção e textura, as malhas metálicas que eram usadas na época medieval. Depois fizemos pesquisa nessa área, no período medieval, nas armaduras, nos símbolos, e acabou por ficar muito depurado e só se nota em determinadas peças. Ficámos satisfeitos por conseguir fazer a triagem de toda essa informação.